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Vejam só, se não é um post com um atraso de dois anos. Já caiu da árvore, nessa altura.
Muito bem, pois que tive uma conversa muito da produtiva hoje, durante as quatro longas horas de pura alegria sentada sendo tatuada. Minha tatuadora é uma das pessoas mais interessantes que já conheci. Entre um sangue espirrando e umas gotas de tinta roxa se amontoando no cotovelo, nós filosofamos sobre qualquer merda que me mantenha acordada depois de tomar dois comprimidos Dorflex.
Chegamos a um assunto verdadeiramente polêmico hoje, que penso duas vezes se devo escrever ou não. Verei se consigo demonstrar como tudo começou.
Por algum motivo bizarro, começamos a falar de guerras. Vai ver é a influência daquelas lanças me dilacerando o ombro, mas pode ser só coincidência. Odeio guerra, mas acho que dava um tiro em alguém bem fácil, dependendo das circunstâncias. Encontrei aqui em casa um documento que certificava a participação ativa do meu avô na Revolução de 32, e achei o maior barato existir esse tipo de desperdício de papel bom. Conversa vai, conversa vem, a dona das agulhas artísticas me conta que é bisneta de uma senhora que fugiu da Segunda Guerra e veio passar nervoso no Brasil, depois de ter perdido toda a família nos campos de concentração nazistas. O gancho pra eu saber disso foi que a filha da “sortuda” fugitiva acabou virando enfermeira da Cruz Vermelha e se embrenhou na Revolução Constitucionalista, a qual perdemos, paulistanos, apesar dos cartazes de “Abaixo a Dictadura” que custaram o futuro incerto de órfãos.
Enfim, não tem nada a ver com isso.
Voltamos lá pra Europa e começou a rolar a velha discussão sobre as merdas que os nazistas e seus cumpadres fizeram, por mais que existam uns xiitas capados por aí dizendo que é tudo mentira. Mas de repente, uma luz divina adentrou o estúdio e ela soltou a frase que causará conflitos político-religiosos em todo o planeta: “Mas eu acho que Hitler era uma encarnação de Jesus”.
E eu concordei. A religião católica prega que todos aqueles que zuaram com a cara de Jesus iriam se foder e muito no tal do fim do mundo. E, convenhamos, não foi um simples bullying, né (pausa eterna pra encontrar o ponto de interrogação) ? Bom, quem pregou o judeu na cruz foram os judeus! Por isso que o Mel Gibson odeia essa galera. Agora, Mel, o que você acha dessa nova teoria? Daria até uma continuação ainda mais sangrenta de A Paixão de Cristo. Tipo um Hitler com sede de vingança que massacra todos aqueles que um dia já cruzaram seu caminho com terceiras intenções.
Heresias a parte, eu tenho certeza de que alguma força sobrenatural roubou meu ponto de interrogação. Esses que eu usei tive que copiar e colar depois de caçar no Google. Ele SUMIU do meu teclado. Acho que nunca mais poderei fazer perguntas.