Outro dia um cara qualquer veio me dizer que eu nunca terei uma família estruturada porque tenho tatuagens.
É, resolvi usar isso como início porque até hoje não me conformei. Foi uma afirmação tão absurda e defendida com argumentos tão rasos que isso me deixou mais puta ainda do que se fosse alguma coisa realmente compreensível.
Entre todas as asneiras que não faziam parte exatamente do mundo mágico e maléfico das tatuagens, o centro da conversa foi Deus. Primeiramente, Deus parece ter ido até ele e dito que quem marca seu corpo está abrindo mão de todas as maravilhas do reino dos céus e está pedindo para ser julgado de acordo com suas marcas.
Em seguida, fui obrigada a ouvir que ao fazer uma tatuagem estou abrindo portas desconhecidas em meu corpo, fazendo com que energias negativas tomem conta de mim. Engraçado que o cara é católico fervoroso, e pra mim quem acredita em energia negativa está considerando a influência do subconsciente de terceiros em sua vida, ou seja, olho gordo, coisa que quem tem fé no Bento XVI nunca diria.
Essas energias negativas surgiriam, de acordo com ele, da interpretação das pessoas sobre minhas tatuagens (que são demoníacas: um gato e duas maçãs), e que nada posso fazer sobre isso, pois tenho que aceitar a interpretação das pessoas e viver entendendo que elas têm o direito de achar aquilo feio, e eu não posso achar bonito. Ou seja, preconceito e ditadura numa frase só, genial se não fosse patético.
Aí o desfecho de tirar o fôlego, eu nunca poderei criar bem meus filhos, porque eles nunca me respeitarão por causa da minha pele marcada. Que marido vai aceitar uma mulher assim? Que exemplo darei às crianças quando elas quiserem cheirar cocaína e tomar LSD? Eu, sendo uma pessoa do mal, praticamente excomungada sem nunca ter feito comunhão, nunca poderei ensinar o que é certo e errado, porque eu sou um ser errado.
Não sei como ele não me chicoteou e depois juntou uma galera pra me apedrejar. Aliás, não sei por que ele simplesmente não ignorou a existência de um ser tão baixo. Mas também não sei porque uma pessoa assim, na porta de seus 50 anos, não tem mulher nem filhos e prefere passar suas noites de sexta feira tentando dar lição de vida pra garotos e garotas de vinte e poucos anos. E não entendo o porque dessa pessoa ter mullets, brincos, cara de tiozão, se formar pela quinta vez numa faculdade qualquer e ter como únicos amigos um Deus que quer que eu seja responsabilidade do capeta e um copo de vodca barata que não consegue ficar vazio.
Eta gente vazia.
Em três meses farei minha quarta tatuagem. E será uma homenagem a meus pais.
E vejam que interessante. Um episódio de Miami Ink, com a ma-ga-vi-lho-sa da Kat Von D. fazendo uma tattoo da filha no braço da mamãe.
1 Comentário até o momento
Deixe um comentário
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>
gostei do texto, acho q não tenho mais nada a dizer. =D
Comentário por euaindaaprendo Abril 18, 2007 @ 4:52 pm